Paulo de Matos Junior

Liquidez no mercado de criptoativos: o que todo investidor precisa entender

Por Diego Rodríguez Velázquez 9 Min de leitura
Paulo de Matos Junior

Paulo de Matos Junior, sendo especialista nas áreas de câmbio e intermediação de criptoativos, alude que, entre os conceitos mais relevantes para quem opera no mercado de ativos digitais e, ao mesmo tempo, menos discutidos em conteúdos voltados ao público iniciante, está o de liquidez, que determina a facilidade e o custo com que um criptoativo pode ser comprado ou vendido sem que a própria operação provoque variação relevante em seu preço de mercado. Nesse contexto, a liquidez de um ativo influencia diretamente as condições práticas de operação, desde a diferença entre o preço de compra e o de venda disponíveis na plataforma até o tempo necessário para converter a posição em recursos líquidos sem incorrência de perdas significativas em relação ao valor de mercado esperado. 

Compreender como a liquidez varia entre diferentes criptoativos e em diferentes condições de mercado representa habilidade prática que separa investidores com maior domínio operacional daqueles que tomam decisões sem considerar esse aspecto fundamental.

O que determina a liquidez de um criptoativo?

O volume médio diário de negociações de um ativo representa o indicador mais direto de sua liquidez, já que mercados com maior volume permitem que compras e vendas de maior porte sejam realizadas com menor impacto sobre o preço do ativo em comparação a mercados com volume reduzido de operações. A presença de formadores de mercado contribui para manter spreads reduzidos e disponibilidade consistente de liquidez, mesmo em períodos de menor atividade geral do mercado. Paulo de Matos Junior evidencia que a profundidade do livro de ordens de uma plataforma, que reflete o volume de ordens de compra e venda disponíveis em diferentes níveis de preço, oferece indicação mais precisa sobre a liquidez efetivamente disponível do que o volume diário isoladamente considerado.

A concentração de liquidez em determinadas plataformas também influencia as condições práticas de operação, já que ativos negociados principalmente em exchanges de menor porte ou com menor base de usuários tendem a apresentar spreads mais amplos e maior impacto de preço em operações de volume relevante. A fragmentação de liquidez entre múltiplas plataformas cria, em alguns casos, oportunidades de arbitragem para participantes com estrutura tecnológica adequada, mas representa simplesmente custo operacional adicional para o investidor comum que não dispõe de sistemas de negociação automatizados. A escolha de plataformas autorizadas com maior base de usuários e volume de negociações representa, portanto, decisão que impacta não apenas a segurança institucional, mas também as condições práticas de liquidez disponíveis ao investidor.

Como a liquidez varia entre diferentes criptoativos?

Bitcoin e Ethereum apresentam os maiores volumes de negociação e a liquidez mais profunda dentro do universo de criptoativos, característica que os torna mais adequados para operações de maior porte sem impacto relevante de preço. Altcoins de menor capitalização de mercado frequentemente apresentam liquidez significativamente inferior, com spreads mais amplos e maior sensibilidade a variações de volume, que tornam operações de tamanho moderado capazes de gerar movimentos relevantes de preço. Assim, o empresário do segmento financeiro Paulo de Matos Junior destaca que a diferença de liquidez entre ativos de diferentes portes representa fator de risco frequentemente subestimado por investidores que tomam posições em criptoativos menos líquidos sem avaliar previamente as condições em que poderão ser necessárias saídas rápidas do ativo.

A liquidez de um mesmo ativo pode variar consideravelmente ao longo do tempo, especialmente em resposta a eventos de mercado que aumentam a volatilidade e geram fluxos de compra ou venda de maior intensidade do que o habitual. Períodos de queda acentuada de preços costumam ser marcados por redução simultânea de liquidez, já que formadores de mercado tendem a ampliar spreads em ambientes de maior incerteza, precisamente quando muitos investidores buscam sair de suas posições de forma acelerada. A combinação entre queda de preço e redução de liquidez em momentos de estresse representa dinâmica importante que investidores com menor experiência frequentemente descobrem apenas quando já estão no meio de um processo de desvalorização relevante de seu portfólio.

Paulo de Matos Junior
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Qual o impacto da liquidez sobre os custos de operação?

O spread entre o preço de compra e o de venda de um ativo, conhecido como bid-ask spread, representa o custo implícito de cada operação, que se soma às taxas explícitas cobradas pela plataforma. Em criptoativos com boa liquidez, esse spread costuma ser reduzido, mas em ativos menos líquidos pode representar percentual relevante do valor total da operação, tornando estratégias de curto prazo economicamente inviáveis antes mesmo de considerar as taxas da plataforma. Paulo de Matos Junior reforça que o custo total de operação, calculado como soma de taxas explícitas e spread implícito, deve integrar qualquer análise de viabilidade de estratégia de investimento em criptoativos, especialmente para quem considera operações com frequência maior do que a habitual entre investidores de perfil mais conservador.

O impacto de preço de ordens de maior volume, conhecido como slippage, representa outra dimensão do custo de liquidez relevante para investidores com posições de maior porte em relação ao volume médio do mercado do ativo considerado. Uma ordem de venda que representa fração relevante do volume diário de negociações de um ativo tende a ser executada a preços progressivamente inferiores ao preço de referência de mercado, já que a demanda disponível a cada nível de preço é absorvida à medida que a ordem é preenchida. A estimativa prévia desse impacto, possível por meio da análise da profundidade do livro de ordens, permite ao investidor calibrar melhor suas expectativas sobre o preço médio de execução antes de iniciar a operação.

Como a regulação influencia a liquidez do mercado brasileiro?

A consolidação de um mercado regulado com múltiplas plataformas autorizadas tende a concentrar volumes de negociação em ambientes com maior credibilidade institucional, potencialmente aumentando a liquidez disponível no mercado formal em comparação ao período anterior à regulação. A maior confiança de investidores institucionais no mercado regulado também deve contribuir gradualmente para o aprofundamento da liquidez, já que participantes de maior porte tendem a trazer volumes de negociação significativamente superiores aos do investidor individual. Paulo de Matos Junior avalia que o desenvolvimento da liquidez no mercado formal brasileiro de criptoativos representa processo gradual que acompanhará a expansão da base de participantes autorizados e o crescimento do interesse tanto de investidores individuais quanto de gestoras de recursos de maior porte.

A interoperabilidade entre plataformas autorizadas, quando viabilizada tecnicamente, pode contribuir adicionalmente para consolidar liquidez e reduzir a fragmentação observada em mercados com múltiplos operadores independentes. A padronização de interfaces de negociação e de protocolos de comunicação entre plataformas representa desafio técnico e regulatório de médio prazo que diferentes iniciativas internacionais já começam a endereçar com diferentes graus de sucesso. O amadurecimento nessa dimensão tende a beneficiar especialmente os investidores de menor porte, que mais sofrem com os efeitos práticos da fragmentação de liquidez em termos de spreads e condições de execução de ordens.

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