Ernesto Kenji Igarashi parte da constatação de que, quando uma operação começa a se deteriorar, o problema raramente está na ausência de regras. Em muitos casos, o risco surge justamente do excesso de padronização aplicado a um cenário que deixou de ser padrão. Em ambientes nos quais protocolos são indispensáveis, mas não suficientes, a incapacidade de reconhecer quando a realidade se afasta das premissas originais compromete o controle. Na segurança institucional, compreender os limites da padronização torna-se condição essencial para lidar com situações sensíveis.
A padronização organiza, reduz ambiguidades e facilita a coordenação entre equipes. No entanto, ela parte de cenários previstos, recorrentes e relativamente estáveis. Operações sensíveis, por definição, desafiam essa previsibilidade. Variáveis humanas, políticas e contextuais alteram o ambiente de forma contínua, exigindo que o sistema reconheça quando o padrão deixa de servir como referência segura.
Padronização como ponto de partida, não como destino
Protocolos existem para oferecer uma base comum de atuação. Eles estabelecem linguagem, sequência de ações e critérios mínimos que reduzem o improviso desordenado. Em contextos controlados, essa padronização aumenta a eficiência e diminui o desgaste cognitivo das equipes.
Ernesto Kenji Igarashi percebe que o problema surge quando o protocolo passa a ser tratado como fim em si mesmo. A adesão mecânica a procedimentos que já não dialogam com o cenário real cria um falso senso de segurança. O sistema aparenta estar sob controle, enquanto, na prática, decisões deixam de responder às mudanças do ambiente, ampliando riscos silenciosos.
Cenários sensíveis e ruptura das premissas do protocolo
Operações sensíveis costumam romper rapidamente as premissas que sustentam a padronização. Mudanças no comportamento do entorno, pressões externas, presença de autoridades ou exposição midiática alteram o contexto significativamente. Protocolos concebidos para situações regulares passam a oferecer respostas incompletas ou inadequadas.
Nesse contexto, Ernesto Kenji Igarashi destaca que reconhecer a ruptura do cenário é habilidade crítica. Persistir na aplicação de um protocolo inadequado não representa disciplina, mas rigidez improdutiva. A dificuldade não está na existência da regra, mas na incapacidade de perceber quando ela deixou de ser funcional.

Ajuste consciente e risco do improviso desordenado
Reconhecer os limites da padronização não significa abandonar o método. O desafio está em ajustar sem improvisar de forma caótica. Operações que rejeitam totalmente os protocolos tendem a depender excessivamente da intuição individual, criando inconsistências e conflitos de decisão entre equipes.
Ernesto Kenji Igarashi ressalta que o ajuste consciente ocorre quando há critérios claros para flexibilização. Margens de decisão previamente definidas, comunicação alinhada e respeito à cadeia de comando permitem adaptações sem perda de controle. Esse equilíbrio evita tanto a rigidez absoluta quanto o improviso desordenado, mantendo a operação dentro de parâmetros seguros.
Formação profissional para além do protocolo
A superação dos limites da padronização passa, necessariamente, pela formação dos profissionais. Treinamentos focados apenas na repetição de procedimentos preparam equipes para cenários previsíveis, mas não para ambientes ambíguos. A ausência de preparo para a exceção amplia a dependência do protocolo mesmo quando ele já não responde ao contexto.
Na leitura de Ernesto Kenji Igarashi, a formação precisa desenvolver capacidade analítica, leitura situacional e tomada de decisão sob incerteza. Profissionais preparados para compreender a lógica por trás do protocolo conseguem adaptá-lo de forma responsável quando necessário. Em segurança institucional, essa maturidade transforma a padronização em ferramenta flexível, e não em limitação operacional.
Padronização como suporte à decisão, não como substituto
O papel mais eficaz da padronização em operações sensíveis é servir de suporte à decisão, e não substituí-la. Protocolos bem concebidos oferecem referências, mas não eliminam a necessidade de julgamento profissional. Quando o cenário se altera, a decisão precisa retomar protagonismo.
Ernesto Kenji Igarashi analisa que operações bem-sucedidas são aquelas que sabem quando seguir o padrão e quando ultrapassá-lo com responsabilidade. Em segurança institucional, reconhecer os limites da padronização é uma das formas mais sofisticadas de preservar o controle, reduzir erros críticos e responder com coerência a ambientes que, por definição, fogem do padrão.
Autor: Pavel Novikov