Felipe Rassi

Descubra quando o crédito deixa de ser viável, mesmo com alto desconto, com a análise de Felipe Rassi

By Diego Rodríguez Velázquez 5 Min Read
Felipe Rassi

Felipe Rassi pondera que, no mercado de crédito estressado, o desconto elevado nem sempre transforma um ativo em boa oportunidade. Em operações com NPLs, recuperação de ativos e carteiras inadimplidas, o preço de entrada pode chamar atenção, mas não corrige automaticamente problemas de exigibilidade, baixa recuperabilidade, custo excessivo de cobrança ou fragilidade patrimonial do devedor. 

Quando esses fatores se acumulam, o crédito pode deixar de ser viável, mesmo que, à primeira vista, pareça barato. Leia esse texto até o final para entender em que momento o desconto perde força como argumento de compra!

Desconto alto não compensa um ativo estruturalmente fraco

Em muitas negociações, o primeiro impulso do investidor é comparar o valor nominal do crédito com o preço pedido na cessão. Quanto maior a diferença, maior costuma ser a sensação de oportunidade. Ainda assim, essa lógica se torna perigosa quando o desconto passa a ser visto como elemento suficiente para justificar a aquisição. Em crédito estressado, a pergunta principal não deveria ser apenas quanto se paga, mas o que realmente pode ser recuperado a partir daquele ativo. 

Nesse contexto, Felipe Rassi assinala que o crédito deixa de ser viável quando o abatimento apenas espelha fragilidades profundas que continuam presentes após a compra. Um ativo com documentação inconsistente, garantia pouco útil, devedor de difícil alcance e ambiente contencioso desfavorável pode permanecer economicamente ruim mesmo com preço agressivamente reduzido. O desconto, nesses casos, não funciona como vantagem real.

A documentação frágil compromete a lógica econômica da compra

Um dos sinais mais claros de perda de viabilidade está na base documental do crédito. Contrato principal, aditivos, memória de cálculo, comprovantes, notificações e instrumentos de garantia precisam formar um conjunto coerente. Quando há lacunas relevantes, divergências entre documentos ou dificuldade para demonstrar a origem e a evolução da obrigação, a cobrança se torna mais cara, mais demorada e menos previsível.

Felipe Rassi
Felipe Rassi

A esse respeito, Felipe Rassi esclarece que o problema não está apenas em eventual discussão jurídica, mas no efeito econômico que ela provoca. Um crédito mal documentado pode exigir produção probatória extensa, enfrentar impugnações sucessivas e aumentar o custo do enforcement a ponto de reduzir drasticamente o retorno esperado. Em vez de gerar margem, o desconto passa a ser consumido pelo esforço necessário para sustentar a própria exigibilidade do ativo.

Patrimônio inacessível e garantias frágeis reduzem a recuperabilidade

Outro fator decisivo aparece quando o devedor não possui patrimônio claramente localizável ou quando as garantias vinculadas ao crédito têm utilidade apenas formal. Há situações em que o investidor enxerga proteção suficiente porque existe bem dado em garantia ou porque o devedor mantém aparência de solvência. No entanto, a realidade da cobrança pode ser muito diferente quando o patrimônio está disperso, pressionado por outros passivos ou cercado por obstáculos à constrição.

Sob essa ótica, Felipe Rassi observa que o crédito deixa de ser viável quando a distância entre a dívida e o patrimônio útil se torna excessiva. O mesmo vale para garantias mal formalizadas, bens de baixa liquidez ou ativos sujeitos a disputa com outros credores. Nessas hipóteses, a recuperação do valor devido depende de um caminho tão incerto que o desconto deixa de ser atrativo.

O custo total da cobrança é o que define a viabilidade real

Em operações com NPLs, a viabilidade não depende apenas do preço de aquisição, mas da relação entre custo total de recuperação e retorno possível. Custas, honorários, diligências, tempo de acompanhamento, medidas patrimoniais e risco de litigiosidade precisam entrar na conta desde o início. Um ativo pode parecer excelente pelo abatimento inicial e, ainda assim, se revelar pouco eficiente quando o esforço necessário para cobrar supera a vantagem econômica esperada.

Por fim, Felipe Rassi destaca que o crédito deixa de ser viável mesmo com alto desconto quando a operação reúne prova frágil, patrimônio de difícil alcance, garantia ineficiente e contencioso oneroso. Em um mercado cada vez mais seletivo, o investidor precisa olhar menos para o impacto imediato do abatimento e mais para a capacidade concreta de transformar o ativo em recuperação efetiva.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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