Evento em Guarulhos discute impactos da IA na produção acadêmica, limites éticos, análise de dados e boas práticas na pesquisa científica.
A Universidade Guarulhos (UNG) vai realizar, no dia 15 de setembro, das 9h às 12h, a 9ª edição do Fórum de Ensino, Pesquisa e Extensão (FEPE), com um tema que ganhou força nos últimos anos dentro e fora das universidades: o uso da inteligência artificial na pesquisa científica. A proposta do encontro é discutir como ferramentas de IA podem apoiar estudantes, professores e pesquisadores sem comprometer a ética, a autoria, a qualidade metodológica e a credibilidade dos trabalhos acadêmicos. A participação será gratuita e aberta ao público interessado, sem necessidade de vínculo prévio com a instituição. Em Guarulhos, o evento chega em um momento importante, já que a tecnologia passou a fazer parte da rotina de quem estuda, escreve, pesquisa, programa, coleta dados e produz conhecimento. A principal dúvida que o fórum pretende enfrentar é clara: em quais situações a inteligência artificial pode ajudar a ciência e em quais casos seu uso pode se tornar inadequado?
Por que a inteligência artificial virou tema urgente nas universidades
A inteligência artificial deixou de ser um assunto restrito aos cursos de tecnologia e passou a aparecer em praticamente todas as áreas do conhecimento. Estudantes de saúde, direito, educação, comunicação, engenharia, administração e ciências humanas já utilizam ferramentas digitais para organizar ideias, buscar referências, revisar textos, traduzir conteúdos e estruturar projetos. Esse movimento trouxe ganhos de produtividade, mas também gerou dúvidas importantes sobre autoria, originalidade e responsabilidade. Quando uma ferramenta ajuda a formular uma frase, resumir um artigo ou sugerir caminhos de pesquisa, surge a necessidade de entender até onde vai o apoio tecnológico e onde começa a contribuição intelectual do pesquisador. Esse é justamente o tipo de debate que o ambiente acadêmico precisa fazer com profundidade.
O fórum da UNG se insere nesse contexto ao propor uma conversa aberta sobre os impactos, desafios e oportunidades da inteligência artificial na pesquisa científica. A escolha do tema mostra que as instituições de ensino superior estão sendo chamadas a orientar seus alunos e professores sobre o uso responsável dessas ferramentas. Ignorar a tecnologia já não parece uma opção realista, porque ela está presente nos computadores, celulares, plataformas de busca, sistemas de escrita e softwares de análise de dados. Ao mesmo tempo, aceitar seu uso sem critérios pode enfraquecer a qualidade da produção acadêmica. Por isso, discutir ética em IA não significa ser contra a inovação, mas definir regras claras para que ela contribua de verdade para a construção do conhecimento.
O que será discutido no Fórum de Ensino, Pesquisa e Extensão
A programação do evento terá como destaque a palestra de Eric Guedes, coordenador dos cursos de Ciência da Computação e de Análise e Desenvolvimento de Sistemas da UNG. A proposta é apresentar possibilidades de aplicação da inteligência artificial em pesquisas científicas, considerando tanto os benefícios quanto os cuidados necessários. Entre os pontos previstos estão o uso de ferramentas de IA na elaboração de textos acadêmicos, na análise de dados, na revisão bibliográfica e no desenvolvimento de projetos científicos. Esses temas fazem parte da rotina de quem produz trabalhos de conclusão de curso, artigos, relatórios, pesquisas de iniciação científica, dissertações e projetos acadêmicos. Ao tratar desses exemplos concretos, o fórum tende a aproximar o debate da realidade de estudantes e pesquisadores.
A discussão sobre textos acadêmicos é uma das mais sensíveis. Ferramentas de IA podem ajudar na organização de ideias, na correção gramatical e na estruturação inicial de um argumento, mas não devem substituir leitura crítica, interpretação de fontes e raciocínio próprio. Na revisão bibliográfica, por exemplo, a tecnologia pode auxiliar na triagem de temas e no levantamento de palavras-chave, mas cabe ao pesquisador verificar referências, checar informações e avaliar a relevância científica de cada material. Na análise de dados, a IA pode acelerar processos e identificar padrões, mas os resultados precisam ser interpretados com método e responsabilidade. O ponto central é que a inteligência artificial pode ser uma ferramenta de apoio, não uma autora invisível do trabalho acadêmico.
Ética, autoria e transparência no uso de IA científica
Um dos maiores desafios para universidades é definir como o uso de inteligência artificial deve ser declarado em trabalhos acadêmicos. A transparência é fundamental para preservar a confiança na pesquisa científica. Quando um estudante ou pesquisador utiliza uma ferramenta para revisar um texto, organizar dados ou gerar sugestões, é importante que a instituição tenha critérios sobre o que deve ser informado e como isso deve aparecer no trabalho. A falta de clareza pode criar suspeitas de plágio, fraude ou uso indevido, mesmo quando a intenção original era apenas otimizar etapas do processo. Por isso, eventos como o FEPE ajudam a transformar dúvidas dispersas em orientação prática.
A ética também envolve o cuidado com dados utilizados em pesquisas. Em estudos que lidam com informações pessoais, entrevistas, imagens, prontuários, bases sensíveis ou dados de participantes, o uso de ferramentas digitais exige atenção redobrada. Inserir informações confidenciais em plataformas sem avaliar segurança e privacidade pode gerar riscos legais e acadêmicos. Além disso, sistemas de IA podem reproduzir vieses, apresentar respostas incorretas ou criar referências inexistentes, fenômeno conhecido como alucinação. Isso reforça a necessidade de supervisão humana em todas as etapas. A tecnologia pode ampliar capacidades, mas não elimina a responsabilidade de quem assina a pesquisa, interpreta os resultados e responde pela integridade do trabalho.
Um debate que aproxima Guarulhos da inovação acadêmica
A realização de um fórum gratuito sobre inteligência artificial na pesquisa científica em Guarulhos tem relevância local e regional. A cidade reúne estudantes, profissionais, empresas, escolas, universidades e instituições que já sentem os efeitos da transformação digital no cotidiano. Ao abrir o evento para pessoas sem vínculo prévio com a UNG, a universidade amplia o alcance da discussão e permite que interessados de diferentes áreas participem do debate. Isso é importante porque a IA não impacta apenas pesquisadores formais. Ela também muda práticas de trabalho, formação profissional, produção de conteúdo, análise de informações e desenvolvimento de projetos em diversos setores.
O FEPE também reforça o papel das universidades como espaços de diálogo público sobre tecnologia. Em vez de tratar a inteligência artificial apenas como tendência de mercado, o fórum propõe analisá-la como ferramenta que precisa ser compreendida, questionada e usada com responsabilidade. Para estudantes, o evento pode ajudar a evitar erros comuns no uso de IA em trabalhos acadêmicos. Para professores, pode oferecer caminhos para orientar turmas e atualizar práticas pedagógicas. Para profissionais de tecnologia, educação e pesquisa, a discussão pode servir como referência sobre limites éticos e oportunidades de aplicação. Em uma cidade dinâmica como Guarulhos, aproximar inovação e formação acadêmica é uma forma de preparar pessoas para um mercado cada vez mais digital.
A 9ª edição do Fórum de Ensino, Pesquisa e Extensão da UNG chega em um momento em que a inteligência artificial já faz parte da vida acadêmica, mesmo quando ainda não existem respostas definitivas para todos os dilemas. O evento gratuito oferece uma oportunidade para discutir boas práticas, responsabilidade e uso consciente da tecnologia na produção científica. A principal mensagem é que a IA pode ajudar a pesquisar melhor, organizar dados e ampliar possibilidades de estudo, mas não substitui pensamento crítico, ética e compromisso com a verdade. Para Guarulhos, o fórum coloca a cidade dentro de uma conversa essencial para o futuro da educação superior. Para estudantes e pesquisadores, é um convite a usar inovação sem abrir mão da integridade acadêmica.
Fontes consultadas: GuarulhosWeb — Universidade promove fórum sobre inteligência artificial na pesquisa científica. UNESCO — Recommendation on the Ethics of Artificial Intelligence. Planalto — Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, Lei nº 13.709/2018. OECD — AI Principles.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez