Conforme destaca o diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim e especialista em sistemas construtivos, Eng. Valderci Malagosini Machado, a construção civil ainda convive com perdas de materiais, retrabalho e falhas de planejamento que elevam custos e atrasam entregas. Tendo isso em vista, a tecnologia deixou de ser um recurso complementar e passou a atuar como parte estratégica da gestão de obras. Interessado em saber como? Continue a leitura e veja como a inovação pode transformar a rotina da construção civil.
Por que o desperdício ainda é um problema na construção civil?
O desperdício na construção civil não ocorre apenas quando materiais são descartados. Ele também aparece em horas improdutivas, compras acima da necessidade, erros de execução, transporte inadequado, armazenamento ruim e retrabalho. Em muitos casos, essas perdas não são percebidas no início, mas se acumulam ao longo da obra e comprometem o orçamento.
De acordo com o Eng. Valderci Malagosini Machado, a redução de desperdícios depende da integração entre projeto, planejamento e execução. Quando cada etapa funciona isoladamente, a obra fica mais vulnerável a incompatibilidades, atrasos na entrega de insumos e decisões emergenciais. Por isso, a tecnologia precisa ser aplicada como ferramenta de gestão, não apenas como símbolo de modernização.
Como o BIM ajuda a evitar falhas antes da execução?
O BIM é uma das tecnologias mais relevantes para reduzir desperdícios porque permite visualizar a obra de maneira integrada antes da construção física começar. Com modelos digitais, equipes conseguem identificar conflitos entre estrutura, instalações elétricas, hidráulicas e demais disciplinas. Assim, os erros que poderiam surgir no canteiro são corrigidos ainda na fase de projeto.
Além disso, o BIM facilita a extração de quantitativos, a análise de etapas e o planejamento mais realista dos materiais. Segundo o diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, Eng. Valderci Malagosini Machado, essa previsibilidade reduz compras desnecessárias, melhora a compatibilização e diminui o risco de retrabalho. Em vez de corrigir problemas depois que eles já consumiram recursos, a equipe antecipa decisões com base em dados.
Quais tecnologias melhoram o controle do canteiro?
O canteiro de obras gera informações o tempo todo, mas nem sempre esses dados são registrados de modo eficiente. Drones, sensores e plataformas digitais ajudam a transformar a rotina da obra em um ambiente mais monitorado. Com isso, os gestores acompanham avanço físico, produtividade, consumo de materiais e condições operacionais com mais precisão.
Entre as soluções mais úteis, algumas se destacam pela aplicação prática e pelo impacto direto na redução de perdas:
- Drones: permitem acompanhar grandes áreas, registrar imagens periódicas, comparar o avanço real com o cronograma e identificar problemas de acesso, armazenamento ou execução.
- Sensores: monitoram consumo de energia, umidade, temperatura, cura do concreto, movimentação de equipamentos e condições que podem afetar a qualidade da obra.
- Gestão digital de obras: centraliza documentos, cronogramas, medições, ordens de serviço e comunicação entre equipes, reduzindo ruídos e decisões baseadas em informações desatualizadas.
- Controle de produtividade: mede o desempenho das equipes, identifica gargalos e mostra onde há perda de tempo, baixa eficiência ou necessidade de ajuste no planejamento.

Essas ferramentas não eliminam a necessidade de experiência técnica. No entanto, elas ampliam a capacidade de análise e reduzem decisões tomadas por percepção, como comenta o Eng. Valderci Malagosini Machado. Isto posto, o maior ganho está em transformar dados dispersos em ações objetivas, capazes de corrigir desvios antes que eles se tornem prejuízos relevantes.
Como o planejamento de materiais reduz perdas?
O planejamento de materiais é um dos pontos mais sensíveis da construção civil. Quando a compra é mal calculada, a obra pode sofrer com falta de insumos, excesso de estoque, vencimento de produtos, danos por armazenamento inadequado e descarte de sobras. Tendo isso em vista, os sistemas digitais ajudam a cruzar quantitativos, cronograma de execução, prazo de entrega de fornecedores e consumo real no canteiro. Dessa maneira, a equipe compra no momento certo, evita acúmulo desnecessário e melhora a rastreabilidade dos insumos.
Por que produtividade também é desperdício?
Muitas empresas associam desperdício apenas a materiais, mas produtividade baixa também representa perda financeira. Equipes paradas, atividades refeitas, equipamentos subutilizados e falhas de comunicação aumentam o custo da construção sem agregar valor ao resultado final. Por isso, medir produtividade é essencial para melhorar a gestão.
Assim sendo, os indicadores devem ir além do cronograma. É necessário acompanhar o rendimento por etapa, o tempo de execução, o consumo por serviço, as causas de atraso e a qualidade da entrega. Tal como alude o diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, Eng. Valderci Malagosini Machado, quando esses dados são analisados com regularidade, a construção civil ganha mais previsibilidade e os gestores conseguem agir com rapidez diante de desvios.
A tecnologia só reduz desperdício quando orienta decisões
Em última análise, a tecnologia pode reduzir desperdícios na construção civil, mas seu impacto depende do uso estratégico. BIM, drones, sensores, gestão digital, planejamento de materiais e controle de produtividade funcionam melhor quando estão conectados a processos claros, equipes treinadas e decisões baseadas em dados confiáveis.
Mais do que adotar ferramentas isoladas, as empresas precisam construir uma cultura de planejamento, monitoramento e melhoria contínua. Nesse quesito, a construção civil deixa de reagir aos problemas apenas quando eles aparecem no canteiro e passa a antecipar riscos, proteger recursos e entregar obras mais eficientes.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez