Colágeno virou um dos suplementos mais vendidos do país, prometendo desde pele mais firme até músculos mais fortes, mas Lucas Peralles, nutricionista esportivo e fundador do Método LP, explica que a resposta científica sobre sua real eficácia depende muito de qual benefício específico está sendo avaliado. Tratar o colágeno como solução universal para qualquer queixa relacionada à pele, articulação ou músculo simplifica demais um assunto que a ciência já consegue detalhar com bastante precisão.
Uma revisão sistemática publicada em 2024, reunindo trinta e seis ensaios clínicos randomizados sobre colágeno hidrolisado tipo um, encontrou benefícios consistentes para a saúde articular, incluindo redução de dor e melhora de mobilidade, enquanto os estudos voltados à saúde óssea ainda enfrentam limitações metodológicas que impedem conclusões definitivas. Diante desse retrato misto, Lucas Peralles reforça que a resposta correta para “colágeno funciona” nunca é um simples sim ou não, mas depende diretamente do objetivo que motivou a suplementação.
Colágeno realmente aumenta a massa muscular como a proteína do whey?
Aqui está um ponto crucial que costuma gerar confusão entre consumidores: um estudo publicado em 2023 mostrou que a ingestão de colágeno durante a recuperação do exercício não aumenta a síntese de proteína muscular contrátil, a mesma que é estimulada por proteínas completas como o whey. Isso acontece porque o colágeno possui perfil de aminoácidos incompleto, com baixa quantidade de leucina, aminoácido essencial para ativar diretamente esse processo específico de crescimento muscular.
Tal como evidencia Lucas Peralles, esse detalhe explica por que trocar a proteína do pós-treino por colágeno, esperando o mesmo efeito sobre hipertrofia, tende a ser uma decisão equivocada, ainda que o colágeno continue tendo papel relevante para outro tipo de tecido do corpo. Entender essa diferença evita expectativas desalinhadas e ajuda o paciente a posicionar corretamente cada suplemento dentro da própria estratégia nutricional.
Então, para que o colágeno realmente serve dentro do treino físico?
Apesar de não estimular diretamente o crescimento do músculo, pesquisas mostram que o colágeno parece ser eficaz justamente para o tecido conectivo, como tendões e ligamentos, especialmente quando consumido antes do exercício em conjunto com vitamina C. Estudos recentes identificaram aumento dose-dependente na síntese de colágeno após consumo de trinta gramas, comparado a quinze gramas ou nenhuma suplementação, sugerindo que a dose utilizada realmente importa para obter esse benefício específico.

Esse mecanismo é particularmente relevante para atletas com histórico de lesões em tendões, como tendinopatia de Aquiles, já que o colágeno parece favorecer a remodelação dessas estruturas quando combinado ao estímulo mecânico do treino. Dentro da Clínica Peralles, Lucas Peralles expressa que a recomendação de colágeno costuma ser direcionada especificamente a esse público, e não indicada de forma genérica a qualquer paciente que busca apenas ganho de massa muscular.
O que a ciência diz sobre colágeno e saúde da pele?
Uma ampla revisão guarda-chuva publicada recentemente, reunindo dados de cento e treze ensaios clínicos e quase oito mil participantes, encontrou melhorias modestas, porém mensuráveis, em hidratação e elasticidade da pele associadas à suplementação de colágeno. Ao mesmo tempo, essa mesma revisão reconheceu limitações relevantes na qualidade metodológica de boa parte dos estudos disponíveis, incluindo curta duração dos ensaios e amostras pequenas de participantes.
Na avaliação de Lucas Peralles, esse tipo de ressalva não invalida o benefício observado, mas reforça que se trata de um efeito modesto, e não de uma transformação radical, como sugerem alguns discursos de marketing mais exagerados. Esse equilíbrio entre reconhecer benefício real e evitar promessa exagerada é um princípio que o especialista em comportamento alimentar aplica sempre que orienta pacientes sobre suplementação dentro do Método LP.
Como decidir se vale a pena incluir colágeno na própria rotina?
Reconhecer que o colágeno tem benefícios específicos, e não universais, ajuda a tomar uma decisão mais informada sobre sua inclusão na rotina. Para saúde articular e tendínea, a evidência é favorável e consistente, enquanto para hipertrofia muscular pura, o whey ou outras proteínas completas continuam sendo a escolha mais eficaz, e não substitutas pelo colágeno.
Conforme considera Lucas Peralles, esse é um exemplo perfeito de como a nutrição esportiva séria exige distinguir entre marketing e evidência real. Sendo assim, cada suplemento tem um papel específico dentro de uma estratégia bem construída, e entender essas nuances é o que diferencia decisões nutricionais bem embasadas de escolhas guiadas apenas por tendências de consumo popular, uma orientação sempre reforçada durante o acompanhamento oferecido na Clínica Peralles.