Assim que a colheita termina, surge a decisão que mais pesa no resultado do ano. Wander Aguilera Almeida, que acompanha de perto as safras de grãos, atua justamente nesse ponto da comercialização, ajudando o produtor a comparar alternativas. Vender na colheita, fechar a venda antes dela ou armazenar para depois são caminhos com custos e riscos diferentes, e nenhum deles é o melhor em todos os anos.
Venda na colheita e a vantagem da liquidez
Vender logo após colher garante dinheiro em caixa rápido e elimina custos de armazenagem, conservação e seguro. Para quem precisa pagar insumos, arrendamento ou financiamento da safra, a liquidez pode ser decisiva. O ponto fraco é o preço: no pico da colheita, a oferta concentrada costuma derrubar as cotações e encarecer o frete. Para quem tem pouca margem financeira, porém, a previsibilidade do caixa às vezes vale mais do que alguns reais a mais por saca.
Também pesa a falta de estrutura. Sem armazém próprio ou acesso a espaço de terceiros, muitos produtores não têm alternativa senão entregar a produção direto da lavoura. Quando é assim, a estratégia passa menos por esperar e mais por negociar bem, comparando compradores, descontos de classificação e condições de frete.
Venda antecipada e preço garantido antes da colheita
A venda antecipada permite fechar o preço de parte da produção meses antes de colher. Na prática, o produtor trava um valor e se protege de quedas futuras, o que facilita o planejamento de custos. Na visão de Wander Aguilera Almeida, empresário do agronegócio, a modalidade funciona melhor quando cobre apenas uma fatia da safra, preservando espaço para aproveitar eventuais altas.
O risco está no outro lado da moeda. Se o preço subir depois do fechamento, quem vendeu antes deixa de ganhar a diferença. Além disso, o compromisso de entrega existe mesmo que a lavoura produza menos que o esperado por problemas de clima, o que exige cautela no volume negociado.

No Brasil, a venda antecipada costuma ser feita diretamente com tradings e cooperativas, muitas vezes vinculada ao fornecimento de insumos, ou por meio de contratos negociados em bolsa. Cada modelo tem regras próprias sobre prazos, local de entrega e ajustes de preço, e compreender as diferenças antes de fechar evita compromissos difíceis de cumprir.
Armazenar e vender na entressafra
Guardar os grãos e vender na entressafra pode render preços melhores, já que a oferta diminui com o passar dos meses. A estratégia, porém, tem custo: armazenagem, conservação da qualidade, seguro e o próprio dinheiro parado, que poderia estar pagando dívidas ou rendendo em outra aplicação. A qualidade do grão armazenado também precisa ser monitorada, porque umidade e pragas podem gerar perdas que anulam o ganho de preço.
Por isso, a conta precisa ser feita com antecedência. Se a alta esperada não cobrir os custos de manter o produto guardado, a espera sai mais cara do que a venda imediata. Conforme pondera Wander Aguilera Almeida, armazenar só compensa quando há estrutura adequada e uma expectativa de preço baseada em dados, e não em palpite.
Como comparar as alternativas de venda de grãos?
A decisão raramente é tudo ou nada. Muitos produtores combinam as três opções: vendem uma parte antecipadamente, entregam outra na colheita para gerar caixa e guardam o restante para a entressafra. A proporção depende do fluxo de caixa, da estrutura disponível e da leitura do mercado naquele ano. Distribuir a venda ao longo do tempo reduz a dependência de um único preço.
Indicadores como o andamento das safras no Brasil e no exterior, o câmbio e o preço da arroba, que influencia a demanda da pecuária por ração, ajudam a calibrar a escolha. A intermediação feita por Wander Aguilera Almeida e pela Agroforte entra nessa etapa, reunindo informação e propostas para que a venda aconteça no melhor momento possível.